Inspetor a fazer a Inspeção Técnica de Estantes | NE15635

Guia prático · Segurança no armazém

As racks industriais trabalham diariamente sob cargas elevadas e muito perto de empilhadores, porta-paletes e outros equipamentos de movimentação. Um pequeno impacto, uma palete mal posicionada ou uma alteração não autorizada pode reduzir a segurança da estrutura sem provocar, de imediato, um sinal evidente de falha.

Por isso, a segurança das racks não depende apenas da qualidade do equipamento ou da montagem inicial. Depende também da forma como a instalação é utilizada, inspecionada e mantida ao longo do tempo. Detetar cedo uma deformação, uma fixação solta ou uma situação de sobrecarga permite agir antes que o problema se agrave.

Porque é que os danos nas racks nem sempre são evidentes?

Grande parte dos danos ocorrem durante as manobras de carga e descarga. Uma mossa num pilar, uma diagonal ligeiramente torcida ou uma viga que perdeu o seu alinhamento podem parecer alterações pequenas, mas afetar a distribuição dos esforços na estrutura.

Também existem problemas que se desenvolvem gradualmente: corrosão, folgas nas ligações, desgaste dos pavimentos, deformação permanente dos níveis de carga ou utilização acima da capacidade prevista. É precisamente esta combinação entre impactos pontuais e deterioração progressiva que torna necessária uma rotina de controlo.

Técnico a inspecionar as estruturas de uma rack industrial
1

Pilares, diagonais ou travessas deformados

Procure mossas, vincos, torções, cortes, rasgos ou curvaturas nos elementos verticais e diagonais dos bastidores. Raspagens recentes ou proteções deslocadas podem indicar um impacto, mesmo quando a deformação não é imediatamente visível.

2

Vigas com deformação anormal

Uma ligeira flexão durante a utilização pode fazer parte do comportamento previsto da estrutura, desde que respeite o projeto. O alerta surge quando existe deformação acentuada e permanente depois de retirada a carga, torção, fissura ou uma ligação que deixou de assentar corretamente.

3

Cavilhas de segurança em falta

Os conectores das vigas devem manter os dispositivos de segurança previstos pelo fabricante. Uma cavilha em falta, partida ou substituída por uma solução improvisada aumenta o risco de deslocação acidental do nível de carga.

4

Sapatas ou pavimento danificados

Verifique se as sapatas estão em contacto adequado com o pavimento, se as fixações estão presentes e se não existem folgas, deslocamentos, fissuras ou degradação do chão.

5

Falta de verticalidade ou desalinhamento

Uma estrutura inclinada, desalinhada ou com módulos que parecem afastar-se entre si pode revelar dano, cedência do pavimento, alteração da montagem ou distribuição inadequada das cargas.

6

Sobrecarga ou distribuição incorreta do peso

Paletes mais pesadas do que o permitido, concentração de carga, níveis alterados ou mercadoria apoiada fora das zonas previstas podem criar esforços para os quais a rack não foi dimensionada. As placas de carga devem estar legíveis e atualizadas.

7

Paletes e unidades de carga instáveis

Paletes partidas, mercadoria inclinada, filme de acondicionamento solto, cargas salientes ou apoio insuficiente aumentam o risco de queda de objetos. A segurança inclui a compatibilidade entre rack, palete, carga e equipamento de movimentação.

8

Fissuras, soldaduras danificadas ou corrosão

Fissuras no material base ou nas soldaduras exigem atenção imediata. A corrosão também deve ser acompanhada, sobretudo em ambientes húmidos, frios ou com agentes agressivos.

9

Proteções ausentes ou já atingidas

Proteções de pilares, barreiras de extremidade e outros acessórios devem estar firmes e em bom estado. Uma proteção torcida ou deslocada é um sinal de impacto e deve levar à verificação da estrutura que se encontra por trás.

O que fazer quando é detetado um dano?

A resposta deve ser simples, conhecida por todos e aplicada sem atrasos. Um procedimento interno eficaz pode seguir estes passos:

  1. Interromper a utilização da zona afetada sempre que exista risco ou dúvida sobre a estabilidade.
  2. Sinalizar e isolar o local para impedir novas operações até à avaliação.
  3. Registar a ocorrência com data, localização exata, fotografias e descrição do dano ou impacto.
  4. Comunicar ao responsável interno pela segurança do equipamento de armazenagem.
  5. Solicitar uma avaliação de uma pessoa competente e seguir as medidas indicadas no relatório.
  6. Reparar ou substituir componentes com soluções compatíveis e tecnicamente validadas.
  7. Autorizar novamente a utilização apenas depois de confirmadas as condições de segurança.

Que tipos de inspeção devem existir?

Uma boa rotina combina vários níveis de controlo. A frequência concreta das verificações visuais deve resultar da avaliação de risco, da intensidade de utilização, do tráfego de equipamentos, do histórico de impactos e das condições do local.

Tipo de controlo Quando Objetivo
Comunicação imediata Após qualquer impacto ou anomalia observada Identificar rapidamente o local e iniciar as medidas de segurança.
Inspeção visual planeada Com periodicidade definida pelo risco Registar danos e alterações visíveis, sobretudo a partir do nível do chão.
Inspeção por especialista Pelo menos uma vez por ano, ou antes se o risco o justificar Avaliar tecnicamente a instalação e os danos existentes.
Verificação extraordinária Após acidente, impacto significativo, alteração ou reinstalação Confirmar a segurança antes da retoma normal da utilização.

Para conhecer em detalhe as responsabilidades, os níveis de inspeção e a periodicidade anual, consulte o nosso artigo sobre o que estabelece a EN 15635.

Perguntas frequentes sobre segurança em racks

Com que frequência devem ser inspecionadas as racks?

A frequência das inspeções visuais deve ser definida em função do risco e da utilização. A EN 15635 prevê também uma inspeção por especialista, pelo menos, a cada 12 meses. Uma ocorrência excecional pode justificar uma verificação imediata, sem esperar pela data planeada.

Uma rack pode continuar a ser utilizada depois de um impacto?

Não se deve assumir que sim. A área deve ser sinalizada e a gravidade do dano avaliada. Se existir risco ou dúvida, a utilização deve ser interrompida até decisão de uma pessoa competente.

É possível endireitar um pilar danificado?

Não devem ser feitas reparações improvisadas. A deformação pode ter alterado as propriedades do componente, pelo que a solução deve ser determinada e validada tecnicamente.

As proteções de pilares eliminam o risco?

Não. As proteções ajudam a reduzir as consequências de determinados impactos, mas não substituem formação, regras de circulação, inspeções e manutenção.

Referências técnicas

Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação de riscos, as instruções do fabricante, a consulta da norma aplicável ou a verificação por uma pessoa tecnicamente competente.